Quase em frente à Casa das Sementes e nascida no mesmo ano longínquo de 1919, fica a casa silva. Um nome genérico para uma loja bem especializada, onde o couro e as peles não têm segredos. Fundada por António Barbosa da Silva, mantém-se no mesmo ramo de negócio desde o começo, oferecendo não só produtos em cabedal feitos minuciosamente à mão, como serviços de reparação de calçado e de artigos de marroquinaria. Pode ainda personalizar, através de gravação, muitos desses produtos em pele.
Cintos e carteiras que duram uma vida, solas e palmilhas de todos os tipos e tamanhos, coleiras e trelas para patudos, chinelos confortáveis e graxas de todas as cores, perfilam-se nas vitrines e nos armários do interior da loja, criando um padrão hipnotizante. A maquinaria antiga e o balcão de madeira original, enrugado pelo tempo, complementam a atmosfera única da casa silva.
Dois produtos desta loja centenária merecem destaque: os socos, feitos com as mesma técnicas de antigamente, de quando este tipo de calçado era o mais sofisticado que alguém podia exibir, e as sandálias romanas. Sim: se te quiseres vestir a rigor para um dos grandes eventos do ano, o Braga Romana, em que durante cinco dias a cidade volta a ser Bracara Augusta, é aqui que vais encontrar as sandálias de atilhos mais bonitas e duradouras!
O FIDALGUINHO É QUE SABE!
No chão com mais de um século da Casa Silva esconde-se um misterioso alçapão. Será que na tua visita vais conseguir encontrá-lo?







Com vinte e muitos anos, nascido e criado em Braga, o Fidalguinho é o guia turístico mais acarinhado da cidade. Otimista, descontraído e muito falador, conhece histórias e piadas capazes de alegrar o espírito da pessoa mais empedernida. Em pequeno, já se destacava na rua do Souto, onde cresceu na mercearia da sua avó Maria. Aliás, é comum ouvi-lo a afirmar, orgulhosamente, ser a pessoa que mais subiu e desceu aquela mítica rua. Sempre de sorriso posto, não perde uma oportunidade de conhecer pessoas e de lhes mostrar o burgo pelo qual é apaixonado. Com uma energia contagiante, fala tão rápido que parece que as suas palavras estão a correr uma maratona! Encontra beleza em qualquer cantinho da cidade e basta que ouça a palavra ‘Braga’ para ficar todo arrepiado. Apesar de não ser fluente em inglês — nem em qualquer outra língua estrangeira, sejamos sinceros —, o Fidalguinho tem o dom de se fazer entender através de gestos cómicos e expressões faciais hilariantes. Consegue assim comunicar com toda a gente, venham da vizinha Espanha ou da lonqínqua Mongólia: um verdadeiro mestre na arte da mímica turística. Só há uma coisa que nunca entendeu: por que raio se chama Fidalguinho?