O passeio por vinte das Lojas com História mais carismáticas de Braga está a chegar ao fim e não podia terminar da melhor maneira: com um brinde ao balcão da tasca mais acarinhada da cidade. E não é um balcão qualquer: é um original balcão de madeira pintada, de topo envidraçado, onde se pousam copos de vinho e petiscos minhotos há mais de 70 anos.
Se quisermos elevar a fasquia desta experiência, deixemo- nos sentar numa das mesas cobertas por vaidosas toalhas aos quadradinhos, que bem combinam com as paredes em pedra e com o vermelho das portas e do balcão. Sentar em bancos e não em cadeiras, claro está. Uma atmosfera rústica, onde especialidades como o bacalhau à Braga ou o ‘pica no chão’ (arroz de cabidela) nos fazem viajar à essência da cozinha regional: receitas que atravessaram gerações, bons produtos e mãos calejadas.
Augusta Rodrigues foi a primeira responsável pelo espaço enquanto ‘casa de pasto’, oficialmente aberta desde 1951. Mas registos mostram que ali já havia autorização para se vender vinho muito tempo antes, aliás, crê-se que o nome estará ligado a Maria da Conceição Ferreira Rego, que consta num pedido de alvará para taberna naquele lugar, datado de 1936. E por falar no néctar dos deuses, nada de ir embora sem beber vinho verde tinto numa malga, como manda a tradição. Os dentes e os lábios até podem ficar arroxeados, mas o espírito e o estômago, esses, saem daqui reconfortados.
O FIDALGUINHO É QUE SABE!
A cozinha do Minho também se faz de belas e calóricas sobremesas. Na Tasquinha Dom Ferreira são célebres as rabanadas com canela e pinhões e o leite-creme queimado na hora.




Com vinte e muitos anos, nascido e criado em Braga, o Fidalguinho é o guia turístico mais acarinhado da cidade. Otimista, descontraído e muito falador, conhece histórias e piadas capazes de alegrar o espírito da pessoa mais empedernida. Em pequeno, já se destacava na rua do Souto, onde cresceu na mercearia da sua avó Maria. Aliás, é comum ouvi-lo a afirmar, orgulhosamente, ser a pessoa que mais subiu e desceu aquela mítica rua. Sempre de sorriso posto, não perde uma oportunidade de conhecer pessoas e de lhes mostrar o burgo pelo qual é apaixonado. Com uma energia contagiante, fala tão rápido que parece que as suas palavras estão a correr uma maratona! Encontra beleza em qualquer cantinho da cidade e basta que ouça a palavra ‘Braga’ para ficar todo arrepiado. Apesar de não ser fluente em inglês — nem em qualquer outra língua estrangeira, sejamos sinceros —, o Fidalguinho tem o dom de se fazer entender através de gestos cómicos e expressões faciais hilariantes. Consegue assim comunicar com toda a gente, venham da vizinha Espanha ou da lonqínqua Mongólia: um verdadeiro mestre na arte da mímica turística. Só há uma coisa que nunca entendeu: por que raio se chama Fidalguinho?