De portas abertas desde 1909, há um corte que a barbearia vasconcelos nunca quis fazer: o corte com o passado. Ser uma referência em Braga no ‘auto- cuidado’ masculino (ainda que na altura não se utilizasse essa expressão) foi o objetivo do seu fundador, António Vasconcellos, e que ainda hoje se cumpre.
Nas cadeiras que resistiram ao tempo, vão-se sentando representantes de diferentes gerações, numa tradição muitas vezes familiar. Clientes mais velhos que dão a conhecer a mestria destes barbeiros aos seus descendentes, e que depois já não querem outras mãos no seu cabelo ou na sua barba. António Xavier da Silva é o proprietário atual. No seu currículo, cinquenta e quatro anos de casa e mais uns quantos de experiência a manobrar tesouras e navalhas. Um saber imenso que tem transmitido ao seu filho e ao seu neto, dispostos a continuar o negócio.
Esta barbearia, também conhecida como “A centenária”, podia ser um museu: para além das cadeiras originais, há outros objetos que nos fazem recuar no tempo, como fotografias, borrifadores, navalhas, pincéis da barba ou tabelas de preços com cem anos, de uma época em que um corte de cabelo custava “dois escudos” ou “dois mil reis”. Hoje em dia, mais de um século depois, a moeda e os preços podem não ser os mesmos, mas os clientes da barbearia vasconcelos, esses, continuam a ser tratados como príncipes.
O FIDALGUINHO É QUE SABE!
A Barbearia Vasconcelos já recebeu muitos famosos, mas pouca gente sabe que uma dessas celebridades foi Teresa Guilherme, que lá foi “fazer a barba”! Na altura publicou uma fotografia e brincou, dizendo que o Sérgio (filho do proprietário e o barbeiro de serviço) achou que a apresentadora “era uma mulher de barba rija”.





Com vinte e muitos anos, nascido e criado em Braga, o Fidalguinho é o guia turístico mais acarinhado da cidade. Otimista, descontraído e muito falador, conhece histórias e piadas capazes de alegrar o espírito da pessoa mais empedernida. Em pequeno, já se destacava na rua do Souto, onde cresceu na mercearia da sua avó Maria. Aliás, é comum ouvi-lo a afirmar, orgulhosamente, ser a pessoa que mais subiu e desceu aquela mítica rua. Sempre de sorriso posto, não perde uma oportunidade de conhecer pessoas e de lhes mostrar o burgo pelo qual é apaixonado. Com uma energia contagiante, fala tão rápido que parece que as suas palavras estão a correr uma maratona! Encontra beleza em qualquer cantinho da cidade e basta que ouça a palavra ‘Braga’ para ficar todo arrepiado. Apesar de não ser fluente em inglês — nem em qualquer outra língua estrangeira, sejamos sinceros —, o Fidalguinho tem o dom de se fazer entender através de gestos cómicos e expressões faciais hilariantes. Consegue assim comunicar com toda a gente, venham da vizinha Espanha ou da lonqínqua Mongólia: um verdadeiro mestre na arte da mímica turística. Só há uma coisa que nunca entendeu: por que raio se chama Fidalguinho?