A pressão populacional nas cidades nem sempre permite o desejado equilíbrio entre natureza e oferta de habitação e serviços. Braga também tem lidado com este exigente desafio e, se no centro histórico os espaços verdes foram muitas vezes substituídos por edificações, a verdade é que basta afastares-te da cidade meia dúzia de quilómetros, para entrares em cenários de ruralidade profunda, onde os campos, as matas e as vinhas se apoderam da paisagem.
Se valorizas ar puro e atividades de exterior, inclui os que se seguem no teu roteiro. E se gostas de conciliar as visitas turísticas com a prática de exercício físico, temos para ti sugestões bem ativas!
Um verdadeiro oásis colorido entre o granito do centro histórico, o Jardim de Santa Bárbara é dos lugares mais fotogénicos da cidade. Mas não vás aqui apenas para tirar fotografias. Demora-te a percorrer os caminhos geometricamente desenhados e a apreciar os arbustos aparados com mestria, intercalados com abundantes canteiros de flores — segundo o Fidalguinho, a disposição das flores foi inspirada nos tapetes persas, e quem somos nós para o contrariar!
Batizado com o nome da Santa que decora a fonte no centro do jardim — escultura do século XVII que pertencia ao desaparecido Convento de Nossa Senhora dos Remédios —, há outros elementos que tornam este jardim único: os arcos de pedra em estilo gótico, que faziam parte do Paço Arquiepiscopal, e a majestosa parede com ameias, desse mesmo edifício, que ladeia o fundo do jardim.
Rua Doutor Justino Cruz, 127
Este é um lugar verdadeiramente especial, mas que fica muitas vezes esquecido nos roteiros turísticos de Braga. Falamos da Colina de Guadalupe e do seu surpreendente
Miradouro do Sagrado Coração de Jesus — uma torre circular, coroada com a figura do Sagrado Coração de Jesus. Fica mesmo ao pé da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica e, para além da atmosfera tranquila, oferece vistas de 360º sobre a cidade.
Rua de Camões, São Vicente
Na data em que escrevemos este guia, o Parque das Sete Fontes ainda não abriu ao público, no entanto, merece ser mencionado, pois vai revolucionar a forma como se convive com a natureza no centro urbano de Braga. Este projeto irá requalificar a área conhecida como Sete Fontes, que durante dois séculos foi o ponto nevrálgico do sistema de abastecimento de água da cidade e do qual ainda restam importantes heranças, como é o caso das Mães de Água — pequenas casinhas circulares, de estilo barroco, que davam acesso aos túneis e às nascentes de água. Do total da área intervencionada, 30 hectares serão uma área verde de usufruto público, com praças, percursos pedonais e pequenas edificações enquadradas na paisagem.
Pedindo emprestada a expressão popular, podemos dizer que ‘a descer a Avenida da Liberdade todos os santos ajudam’, mesmo assim, no final desta artéria vital da cidade, vai saber bem descansar no Parque da Ponte ou Parque de São João da Ponte. Para além das frondosas árvores e dos pequenos jardins, vais gostar de ver o coreto, a capela, o edifício da videoteca e o lago, em cujo bar e esplanada podes tomar café e petiscar.
Rua Doutor Justino Cruz, 127
Já falámos aqui da beleza natural do Monte do Bom Jesus, onde está inserido o Santuário, com a sua basílica e escadaria monumentais e o histórico funicular. Grande parte do desenho deste parque teve origem no século XIX, quando o Estado Português ofereceu ao Santuário os terrenos baldios que o rodeavam. Aqui há árvores de sombra generosa e plantas das mais variadas espécies, há riachos e cascatas de água, fontes e pontes pitorescas. Um local para relaxar, reconectar com a natureza e, se a fome apertar, fazer um piquenique no parque das merendas.
Tenões, a cerca de 6 km do centro de Braga
Para estadias mais prolongadas na cidade ou no concelho, ou para visitas específicas de contacto com a natureza, o Fidalguinho aconselha os trilhos da Rede de Percursos Pedestres de Braga. São mais de 20 itinerários agrupados em quatro grandes temas: A Cidade e a Natureza; Montes e Vales; Rios, e Caminhos com História. No total, 280 km de paisagem e património, devidamente assinalados, com percursos para todo o tipo de pessoas, desde o turista ocasional ao desportista mais experiente. Descarrega a app Braga Explorer e mete pés ao caminho!
App Braga Explorer
a cerca de 40 minutos do centro de Braga
Muito próximo do centro da cidade, o Picoto Park promete “um mundo de emoções e aventuras” a miúdos e graúdos. Paintball, zorb ball, tubbing, arborismo, minigolfe e passeios de Segway fazem parte do vasto leque de atividades disponíveis. Aspeto fantástico comum a todas? A vista sobre Braga!
Rua Evangelista de Araújo Vieira, Monte Picoto
O maior parque de aventura da Península Ibérica oferece mais de 170 hectares de floresta, recheada de desafios que põem à prova a tua coragem, capacidade física ou raciocínio! Escalada, slide, bungee jumping, paintball, rafting, canyoning e escape room são apenas algumas das atividades, num complexo que inclui alojamento, piscina e restaurante. Ideal para ir em grupo e pôr essa adrenalina a rolar!
Oliveira, Póvoa de Lanhoso, a cerca de 27 km do centro de Braga
Com vinte e muitos anos, nascido e criado em Braga, o Fidalguinho é o guia turístico mais acarinhado da cidade. Otimista, descontraído e muito falador, conhece histórias e piadas capazes de alegrar o espírito da pessoa mais empedernida. Em pequeno, já se destacava na rua do Souto, onde cresceu na mercearia da sua avó Maria. Aliás, é comum ouvi-lo a afirmar, orgulhosamente, ser a pessoa que mais subiu e desceu aquela mítica rua. Sempre de sorriso posto, não perde uma oportunidade de conhecer pessoas e de lhes mostrar o burgo pelo qual é apaixonado. Com uma energia contagiante, fala tão rápido que parece que as suas palavras estão a correr uma maratona! Encontra beleza em qualquer cantinho da cidade e basta que ouça a palavra ‘Braga’ para ficar todo arrepiado. Apesar de não ser fluente em inglês — nem em qualquer outra língua estrangeira, sejamos sinceros —, o Fidalguinho tem o dom de se fazer entender através de gestos cómicos e expressões faciais hilariantes. Consegue assim comunicar com toda a gente, venham da vizinha Espanha ou da lonqínqua Mongólia: um verdadeiro mestre na arte da mímica turística. Só há uma coisa que nunca entendeu: por que raio se chama Fidalguinho?