História Romanos, Arcebispos e Cª

Resumir os mais de dois mil anos da cidade de braga não é tarefa fácil — nem mesmo para o fidalguinho, que conhece a cidade como ninguém! Foram etapas e etapas de desenvolvimento contínuo, datas memoráveis, períodos especialmente prósperos e muitas personalidades marcantes, até chegarmos à braga de hoje. Felizmente, foram sendo deixados testemunhos e marcas ao longo desta notável trajetória — dos registos escritos ao património edificado, das obras de arte às peças de vestuário, das receitas de cozinha ao artesanato —, que facilitam a tarefa de contar a história. Assim, e porque acreditamos que qualquer visita turística deve começar pelo enquadramento histórico do local e pelos seus monumentos mais relevantes, é por aí que vamos!

Por Fidalguinho

February 14, 2025

Roteiro Romano

Como já deves saber, tudo começou com os romanos. Assim, a palavra Braga deriva de Bracara Augusta, que foi a designação em latim que os militares romanos deram à cidade, quando a planearam e fundaram há mais de 2000 anos. A primeira metade do nome remetia para o povo que até então mandava na região, os brácaros; a segunda, foi uma homenagem a (César) Augusto, fundador e primeiro líder do Império Romano, no poder naquela época.

Capital da província romana da Galécia, Bracara Augusta gozava de grande prestígio, tendo-lhe sido atribuídas diversas competências a nível administrativo e judicial. Aqui podiam ser pagos impostos e recrutadas tropas, e daqui saíam importantes estradas construídas pelo império, que ligavam a cidade a Conímbriga (Coimbra) e a Asturica Augusta (Astorga, Espanha), entre outras.

Infelizmente, por vários motivos, incluindo a subvalorização deste património em certos momentos da história, houve muito edificado romano que não sobreviveu até aos nossos dias, caso das muralhas que terão delimitado e protegido a cidade. No entanto, ainda é possível contactar com alguns símbolos desse incrível passado romano. Curioso?

01.

Termas Romanas do Alto da Cividade

Classificadas como Monumento Nacional desde 1986, as Termas Romanas do Alto da Cividade são os únicos banhos públicos de Bracara Augusta que se conhecem. Historiadores e arqueólogos acreditam que terão sido construídas no século II. A vertente de lazer associada às termas é comprovada pelos vestígios descobertos, incluindo os que indiciam a existência de um teatro. Sim, porque para além da sua função higiénica, as termas serviam para conversar, conviver e até trabalhar: muitos negócios foram aqui fechados!

Rua Dr. Rocha Peixoto

04.

Fonte do Ídolo

Um dos mais bonitos vestígios romanos da cidade, este fontanário terá funcionado também como um santuário dedicado ao culto da água. As inscrições nas pedras apontam que terá sido edificado por um cidadão romano chamado Celico Fronto no século I. Alguns estudiosos defendem, no entanto, que tem uma origem celta, tendo sido requalificada durante a ocupação romana. Está classificado como Monumento Nacional desde 1910, recebendo visitas guiadas

Rua do Raio, 379

02.

Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

Aqui, não se vira a página à história. Na zona onde foi erguida a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva terá existido uma área habitacional de famílias romanas privilegiadas, cujos vestígios o edifício projetado pelo Arqº Mário Abreu acolhe e preserva. O achado mais imponente é o empedrado que se pensa ter sido parte de um sistema de drenagem de águas sujas, designado por cloaca, observável no chão da biblioteca.

Rua de S. Paulo, 1

03.

Escola Velha da Sé Domus

Antes de mais, uma curiosidade: ‘domus’ era o nome que os romanos davam a ‘casa’ e é daqui que vem a palavra ‘doméstico’ — faz sentido, certo? Neste núcleo arqueológico, são sobretudo fragmentos de uma domus o que se pode observar. Crê-se que tenha sido edificada entre o século II e o século III e funcionado até ao século V. Aqui, vais encontrar ainda partes de um alicerce da muralha medieval de Braga do século XIV e uma exposição permanente sobre a arte do Mosaico.

Rua D. Afonso Henriques, 1

FIDALGUINHO APRESENTA:
D. DIOGO DE SOUSA, 1461–1532

Antes de mais, uma curiosidade: ‘domus’ era o nome que os romanos davam a ‘casa’ e é daqui que vem a palavra ‘doméstico’ — faz sentido, certo? Neste núcleo arqueológico, são sobretudo fragmentos de uma domus o que se pode observar. Crê-se que tenha sido edificada entre o século II e o século III e funcionado até ao século V. Aqui, vais encontrar ainda partes de um alicerce da muralha medieval de Braga do século XIV e uma exposição permanente sobre a arte do Mosaico.

05.

Frigideiras do Cantinho

Saborear a história: em poucos lugares esta metáfora encaixa tão bem como no caso da pastelaria e restaurante Frigideiras do Cantinho. Neste espaço, para além de poderes provar uma iguaria salgada que se confeciona há mais de dois séculos — as célebres ‘frigideiras’ —, vais poder contemplar, sob o chão envidraçado, partes de uma habitação romana composta por várias divisões, incluindo banhos privados.

Largo de São João do Souto, 1

Roteiro Religioso

Braga é muitas vezes chamada de ‘Cidade dos Arcebispos’. O que não causa estranheza, se pensarmos que Braga é uma arquidiocese (de forma simplificada, é uma diocese com maior importância, na estrutura organizacional da Igreja), que tem inúmeras igrejas — incluindo uma Sé com centenas de anos —, e que aqui ainda hoje a fé católica se exprime de forma vívida e audível em momentos como a Semana Santa. O que não é assim tão conhecido é o facto de Braga ter sido governada oficialmente por… arcebispos! Aliás, essa é a principal razão do epíteto.

Alguns anos antes de Portugal se tornar Portugal, e fruto da reconquista cristã aos mouros, havia-se formado o Condado Portucalense — um território que ia desde a margem norte do Tejo até ao Minho, e de que Braga fazia parte. Em 1093, numa altura em que a arquidiocese de Braga já havia sido restaurada, o Condado foi oferecido por D. Afonso VI de Leão e Castela à sua filha D. Teresa, pelo seu casamento com Henrique de Borgonha. Em 1112, D. Teresa e D. Henrique doam o ‘Couto e Termo de Braga’ à Igreja de Braga e a D. Maurício, o arcebispo da época, título que passa a designar-se ‘Arcebispo e Senhor de Braga, Primaz das Espanhas’. Assim, e até 1790, Braga foi evoluindo sob forte influência religiosa, de acordo com as ideias dos sucessivos arcebispos, o que marcou de forma duradoura a identidade e a cultura da cidade. Os monumentos que se seguem, são a prova disso.

06.

Sé de Braga e Tesouro-Museu

Sendo a catedral mais antiga do país, a Sé de Braga começou a ser construída no século XI, tendo passado por diversas remodelações e acréscimos ao longo do tempo. Acredita-se, no entanto, que o local ou a zona onde foi erigida já tinha acolhido um local de culto no tempo dos romanos, como parece atestar a pedra gravada incluída na parede do templo virada para a rua Nossa Senhora do Leite. Em termos arquitetónicos, apresenta uma mistura de estilos, nomeadamente românico, gótico e barroco. A par do templo principal, apresenta uma série de edificações contíguas, incluindo varias capelas e a Igreja da Misericórdia, com a sua bonita fachada renascentista.

E se por fora todo o vetusto conjunto impressiona, lá dentro não faltam motivos de interesse, a começar pela atmosfera espiritual. Não deixes de observar a galilé (os claustros cobertos da entrada), a pia batismal, os túmulos de D. Teresa e D. Henrique — pais de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal —, e os órgãos de tubos revestidos a talha dourada.

O conjunto arquitetónico da Sé inclui ainda a Capela de São Geraldo, dedicada ao padroeiro da cidade. Pois é, ao contrário do que muitos pensam, o padroeiro de Braga não é o S. João, mas sim o S. Geraldo, arcebipo de Braga entre o final do século XI e início do século XII. Se estiveres pela cidade no dia 5 de dezembro, não deixes de visitar esta capela situada na fachada norte da Sé, que estará aberta ao público e ricamente decorada com fruta fresca. Uma tradição que deriva da lenda de São Geraldo, segundo a qual o arcebispo, às portas da morte, terá feito aparecer, em pleno inverno, fruta abundante nas árvores despidas.

Rua Dr. Rocha Peixoto

09.

Basílica dos Congregados

Esta é uma das obras que deu fama a André Soares, importante arquiteto e escultor bracarense do século XVIII. O conjunto de edifícios de que o templo principal e a Capela dos Monges fazem parte, acomodou em tempos um convento e um colégio. Fazendo jus ao estilo de André Soares, apresenta uma estética barroca e rococó — o teto do presbitério é o único estuque rococó que ainda existe em Braga. Para além do papel fundamental de André Soares, o trabalho em pedra no exterior, as capelas laterais e os seus altares e retábulos, assim como as imagens de diversos santos, tiveram o contributo de outros mestres e artistas, e reforçam a importância de uma visita.

Avenida Central, 98

11.

Bom Jesus do Monte

O Bom Jesus é um dos locais mais carismáticos e acarinhados da cidade. São muitas as razões que tornam obrigatória a visita a este Santuário, desde logo o seu simbolismo religioso e a sua importância espiritual, onde natureza e intervenção humana fizeram um match perfeito!

Neste conjunto arquitetónico do século XVIII, o destaque vai para a imponente basílica e para extensa escadaria — 3 escadórios, 17 patamares e 573 degraus, que retratam a Via Sacra e outros temas religiosos. O projeto original de arquitetura é da autoria de Carlos Amarante.

Outro dos chamarizes do Bom Jesus é o seu centenário elevador, operado por um sistema de contrapeso de água. Inaugurado em 1882, trata-se do primeiro funicular da Península Ibérica e o único do género no mundo ainda em funcionamento. Liga o sopé do monte à parte mais alta do Santuário, acompanhando a escadaria, e faz da subida com uma inclinação de mais de 100 metros, uma experiência sem pinga de suor!

Uma vez lá em cima, para além de visitares o interior da igreja, não deixes de apreciar os jardins e passear pelo bosque — com mesas de merenda —, de passear de barco no lago e de apreciares a inusitada Casa do Fresco, também conhecida por Gruta Barroca, da autoria de André Soares. Outra atividade obrigatória, claro, é usufruir da vista sobre a cidade de Braga. Afinal, é aqui que está o monóculo que deu origem à famosa expressão “Ver Braga por um canudo”.

Tenões, a cerca de 6 km do centro de Braga

14.

Capela Árvore da Vida

A Capela Árvore da Vida, inaugurada em 2011, encontra-se no Seminário Conciliar São Pedro e São Paulo de Braga e foi projetada pelo gabinete de arquitetura Cerejeira Fontes, com o contributo do escultor norueguês Asbjörn Andresen. A madeira é o material protagonista do espaço, tendo sido utilizadas 20 toneladas de madeira para criar uma surpreendente geometria. As traves, encaixadas sem qualquer parafuso, prego ou dobradiça, criam um curioso jogo de luz e sombra, proporcionando a sensação de acolhimento e tranquilidade.

Largo de S. Tiago

07.

Igreja de Santa Cruz

Mais de cem anos foi quanto demorou a construir este templo (1625 – 1737), o que explica a sua arquitetura híbrida, ainda que o barroco predomine. Vale a pena a visita, seja pelos arcos com decoração em talha, pelas capelas laterais, pelos púlpitos com sanefa ou pelo órgão de tubos.

Largo Carlos Amarante, 11

08.

São Marcos Church

Faz parte do mesmo conjunto arquitetónico que albergou, durante vários séculos, o principal hospital da cidade: o Hospital de São Marcos, hoje um hotel de luxo. Data do século XVIII e foi desenhada por Carlos Amarante — figura destacada da arquitetura bracarense daquela época. Na fachada simétrica do templo, sobressaem as decorações barrocas e as esculturas dos Apóstolos. A construção foi promovida por D. Diogo de Sousa, com o objetivo de acolher e cuidar de desfavorecidos, forasteiros e peregrinos. Na capela-mor da igreja encontra-se sepultado o corpo de D. Diogo de Sousa, assim como está guardada uma relíquia de São Marcos, trazida para a cidade por um Cavaleiro Templário.

Largo Carlos Amarante/Rua de S. Bentinho

O FIDALGUINHO SUGERE: TESOURO-MUSEU DA SÉ

Num edifício do século XVIII anexo à Sé, que funcionou como Casa do Cabido — local destinado a receber padres e outros clérigos à exceção do arcebispo, que vivia no Paço —, está instalado o Tesouro-Museu, isto é, um museu que é um autêntico tesouro! De facto, aqui estão guardadas verdadeiras joias ligadas aos rituais religiosos, numa imperdível coleção de obras de arte que atravessa vários períodos da história. Para te aguçar a curiosidade, o Fidalguinho deixa uma pergunta sobre um dos objetos em exposição: o que é o ‘Asterisco’ e para que servia?

10.

Igreja de São Victor

Uma das artes portuguesas que mais encanta os turistas, locais ou estrangeiros, é a azulejaria. A partir dos mosaicos trazidos pelos árabes, a técnica foi amplamente desenvolvida e aplicada, nomeadamente em palácios e igrejas. A Igreja de São Víctor destaca-se, precisamente, pelos magníficos painéis de azulejos de finais do século XVII, que terão sido pintados por Gabriel del Barco, reputado artista espanhol, na época radicado em Lisboa. Entra e aprecia o contraste entre as impressionantes paredes azuis e brancas, que retratam o martírio de vários santos, e os não menos extraordinários elementos em talha dourada.

Rua de São Domingos, 4

12.

Santuário de Nossa Senhora do Sameiro

Mais de cem anos foi quanto demorou a construir este templo (1625 – 1737), o que explica a sua arquitetura híbrida, ainda que o barroco predomine. Vale a pena a visita, seja pelos arcos com decoração em talha, pelas capelas laterais, pelos púlpitos com sanefa ou pelo órgão de tubos.

Espinho, a cerca de 10 km do centro de Braga

13.

Mosteiro de Tibães

Importante polo de difusão do conhecimento em Portugal nos séculos XVII e XVIII, a história do Mosteiro de São Martinho de Tibães começa muito antes, no século XI, quando os monges beneditinos de Cluny aqui se instalaram. Após profundas obras de restauro, o mosteiro assume hoje um importante papel cultural, continuando a igreja do mosteiro a assumir uma função religiosa central na paróquia de Mire de Tibães.

Uma visita ao espaço permite conhecer vários aspetos da vida monástica ao longo dos tempos, bem como perceber a ligação da congregação à comunidade. Para além da igreja de estilo maneirista, datada do século XVII, onde surpreende o Coro Alto, podem ver-se outras interessantes divisões, como a Galeria dos Abades Gerais, a Barbearia e Botica, a Sala do Recibo e Celeiro, a Cozinha ou as curiosas “Secretas” (as sanitas da altura!). O Mosteiro oferece ainda bonitos claustros e espaços exteriores notáveis, como o Jardim de São João, o Passadiço ou a Cerca.

Mire de Tibães, a cerca de 7 km do centro de Braga

O FIDALGUINHO SUGERE: TESOURO-MUSEU DA SÉ

Num edifício do século XVIII anexo à Sé, que funcionou como Casa do Cabido — local destinado a receber padres e outros clérigos à exceção do arcebispo, que vivia no Paço —, está instalado o Tesouro-Museu, isto é, um museu que é um autêntico tesouro! De facto, aqui estão guardadas verdadeiras joias ligadas aos rituais religiosos, numa imperdível coleção de obras de arte que atravessa vários períodos da história. Para te aguçar a curiosidade, o Fidalguinho deixa uma pergunta sobre um dos objetos em exposição: o que é o ‘Asterisco’ e para que servia?

15.

Capela Imaculada e Capela Cheia de Graça

À semelhança da Capela Árvore da Vida, este projeto tem autoria do gabinete Cerejeira Fontes Arquitetos, contou também com a colaboração de Asbjörn Andresen — para além da participação da pintora sueca Lisa Sigfridsson —, e foi igualmente galardoado com o Prémio ArchDaily na categoria de arquitetura religiosa.
Resultante do trabalho de requalificação e restauro de uma capela já existente, a Capela Imaculada acolhe no seu Coro Alto a Capela Cheia de Graça, pensada para receber, de forma intimista, os momentos litúrgicos diários dos residentes no seminário. Conjugando pedra e madeira num estilo simultaneamente minimalista e grandioso, o espaço está repleto de detalhes singulares, como a escultura da Senhora da Humildade, em tamanho real e sentada na primeira fila, da autoria de Asbjörn Andresen.

Rua de S. Domingos

Roteiro do barroco civil e outras obras monumentais

A par da influência romana e religiosa, a identidade de Braga foi sendo também moldada pela sociedade civil bracarense e pelos seus representantes políticos, que foram acompanhando as tendências de cada época. Nos tempos que se seguiram aos Descobrimentos, por exemplo, muitos minhotos emigraram para o Brasil, fazendo aí fortuna. De regresso à pátria e à cidade de Braga, mandaram construir luxuosos palacetes, que ainda hoje provocam suspiros de admiração a quem por eles passa. Por outras palavras, Braga ‘não é só igrejas’, possuindo inúmeras outras obras de grande valor histórico e artístico, que datam tanto da Idade Medieval (séculos V-XV), como da Idade Moderna (séculos XV-XVIII) e da Idade Contemporânea (a partir de 1789). Segue uma lista desses lugares especiais!

16.

Arcada

Verdadeiro cartão-postal de Braga, a Arcada original data do século XVI e foi mandada construir pelo célebre Arcebispo D. Diogo de Sousa, enquanto governante da cidade, com o objetivo de servir a população — o largo em frente acolhia muitas trocas comerciais e a arcada funcionava como alpendre para acolher produtos e animais. O aspeto atual mantém-se praticamente inalterado desde 1715. Nos dias de hoje, continua a ser um importante ponto de passagem e de convívio, acolhendo os íconicos Café Vianna e Café Astória.

Praça da República

18.

Arco da Porta Nova

É um dos ícones mais populares da cidade. Há registos de que foi mandado erguer em 1512 por D. Diogo de Sousa, no entanto, a atual aparência data da segunda metade do século XVIII. Trata-se de um arco de volta perfeita, cujos elementos ornamentais são atribuídos a André Soares.

A porta estava integrada na cerca medieval que protegia a cidade, constituída por cinco torres e oito portas. São escassos os vestígios dessa construção, restando apenas alguns troços dispersos, as torres de Santiago e de S. Sebastião, a Porta de Santiago e a Porta Nova. Ainda que não seja consensual, muitos acreditam que a origem da pergunta humorística “És de Braga?”, feita a alguém que deixa uma porta aberta, está associada a esta relíquia arquitetónica, que nunca teve porta!

Rua D. Diogo de Sousa

22.

Casa dos Coimbras

Nem que seja apenas pela adorável janela manuelina, vale a pena parar em frente à Casa dos Coimbras. Provavelmente, a sua origem situa-se no século XV e está ligada ao arcebispado, no entanto, o nome deriva de João Coimbra, que a comprou em 1505 e que, poucos anos mais tarde, mandou contruir a capela adjacente. O edifício habitacional sofreu alterações devido a uma reorganização urbanística do início do século XX, mas os elementos de maior valor artístico foram preservados.

No exterior da Capela dos Coimbras sobressai a galilé, uma espécie de pátio coberto que também existe, em maior escala, na Sé Catedral. Esta semelhança pode estar relacionada com o facto de aqui terem trabalhado alguns dos artistas envolvidos na construção da Sé. Lá dentro, há azulejos do século XVIII e uma imagem que representa a colocação de Jesus no sepulcro atribuída a Jean de Rouen (também conhecido como João Ruão), artista francês do século XVI que viveu e trabalhou em Portugal.

Largo de Santa Cruz

23.

Casa Rolão

Neste carismático edifício da segunda metade do século XVIII funciona hoje uma das mais bonitas e dinâmicas livrarias de Braga: a livraria Centésima Página. O projeto foi encomendado a André Soares pela família Rolão, que negociava em sedas. Seguindo o gosto da altura e o estilo do arquiteto, a casa apresenta o típico desenho barroco nas portas e janelas, com um interessante recuado no piso superior.

Avenida Central, 118-124

24.

Casa dos Crivos

O seu interior está atualmente encerrado ao público (recebia exposições de arte e outras iniciativas), no entanto, a sua fachada merece a tua observação atenta. Trata-se de um edifício habitacional do século XVII, cuja fachada se encontra revestida de gelosias, daí ser também conhecida como Casa das Gelosias. Estes painéis de madeira a cobrir as janelas, para além de servirem para climatizar as habitações, filtrando os raios de sol, proporcionavam grande discrição a quem lá morava — uma função vital, dada a mentalidade conservadora e religiosa vigente. Apesar dos registos históricos mostrarem que este tipo de arquitetura urbana era vulgar na época, em Braga resta apenas este exemplar, por isso, quando passares na rua de S. Marcos, não te esqueças de admirar esta raridade!

Rua de S. Marcos, 37-41

17.

Largo do Paço e Chafariz dos Castelos

Ao desceres a rua do Souto, em direção à Sé, vai ser impossível não te deixares surpreender por este bonito largo e o seu chafariz do século XVI. O edifício que abraça a praça começou a ser construído no século XIV, mas a obra prolongou-se durante vários séculos. Faz parte de um antigo complexo eclesiástico — o Paço Arquiepiscopal —, e acolhe atualmente a Reitoria da Universidade do Minho.

Largo do Paço

19.

Paços do Concelho

É neste edifício, cuja construção se iniciou em 1753 e se prolongou por muitas décadas, que está sediada a Câmara Municipal de Braga. O traçado é de André Soares, que deixou o seu gosto barroco bem patente na fachada. Considerada uma das mais importantes edificações da Península Ibérica a representar este estilo arquitetónico, assume o protagonismo da praça, que é palco regular de manifestações festivas, nomeadamente quando a principal equipa de futebol da cidade, o Sporting Clube de Braga, vence uma competição.

Praça Municipal

20.

Paço Arcebispal dos Bragança

O palácio do arcebispo D. José de Bragança, de 1750, é da autoria de André Soares e foi destruído por um incêndio em 1866. Após um cuidado restauro, em 1934 mudou-se para aqui a Biblioteca Pública de Braga, onde continua de portas abertas.

Praça Municipal

21.

Palácio do Raio

Haverá um Pantone para o azul do Palácio do Raio? Temos dúvidas, tal a singularidade de mais uma obra com a assinatura de André Soares. O azul-forte das portas de madeira e das guardas das varandas, mais o azul clássico dos azulejos, mais o cinza granítico dos elementos barrocos e rococó, dá igual a uma fachada de rara beleza. As extravagâncias de alguns dos seus elementos decorativos, de inspiração hispano-americana, deram ao palacete o nome alternativo de ‘Casa do Mexicano’.

Apesar de ter sido mandado edificar em 1754 por João Duarte Faria, o nome principal vem do seu segundo proprietário, Miguel José Raio, bracarense que fez fortuna no Brasil. Este foi o responsável pela abertura da rua em frente ao edifício, em 1863, para melhor poder exibir a sua mansão e facilitar o acesso às casas que pretendia construir para as suas filhas. O interior também merece elogios, não só pela escada ladeada de elegantes azulejos e pelos tetos ricamente trabalhados, mas também pelas coleções de arte do Centro Interpretativo das Memórias da Santa Casa da Misericórdia de Braga, aqui instalado desde 2015.

Rua do Raio, 400

O FIDALGUINHO APRESENTA: ANDRÉ SOARES, 1737 - 1769

André Ribeiro Soares da Silva, de seu nome completo, foi um notável arquiteto e escultor bracarense. Nasceu no centro da cidade, em plena rua do Souto, filho de uma família abastada. Após um percurso de iniciação religiosa, decidiu dar asas ao seu talento artístico, de forma autodidata e puramente por prazer, pois a sua ascendência privilegiada não exigia que trabalhasse. Sem estudos formais, como se tornou um artista exímio do barroco e do rococó? Acredita-se que durante a sua passagem pelo seminário e pela Irmandade de S. Tomás de Aquino tenha tido acesso privilegiado a livros estrangeiros sobre arte e arquitetura. Após a sua morte, com apenas 49 anos, o nome de André Soares ficou apagado durante quase dois séculos. Foi Robert Smith — não o vocalista dos The Cure, mas um historiador e investigador norte-americano que se interessou pelo barroco português — quem trouxe a figura de André Soares para a merecida ribalta. A Igreja do Bom Jesus, a Igreja de Santa Maria Madalena (Falperra), a Igreja dos Congregados, o edifício dos Paços do Concelho e o Palácio do Raio, de que já falamos neste guia, são apenas algumas das suas obras, que muito contribuem para a monumentalidade da cidade.

25.

Estádio Municipal de Braga

Símbolo da dimensão contemporânea de Braga, é muitas vezes apelidado de ‘Pedreira’, devido a uma das suas bancadas estar implantada, precisamente, numa antiga pedreira. Este é um dos aspetos que lhe confere monumentalidade, a par do excecional trabalho de arquitetura e engenharia. Da autoria de Eduardo Souto Moura, este projeto premiado é pródigo em traços originais, como o facto de ter apenas duas bancadas, permitindo que todos os adeptos — a lotação é de 30 286 pessoas —, usufruam do jogo da mesma maneira. Foi construído no âmbito do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, que se realizou em Portugal, sendo atualmente a casa do Sporting Clube de Braga, um dos principais clubes de futebol da primeira liga portuguesa.

Parque Norte – Rua Monte de Castro